sábado, 10 de janeiro de 2015

Como treinares o teu professor

"Treinar um professor?Hum...".Não tenhas medo.É uma prática milenar.Se a dominares só ganharás com isso ( e a tua autoavaliação também).Requer perícia mas este guia é suficiente até ganhares prática.
Os professores são criaturas que dependem imenso da tua dependência.Os olhos deles reluzem,que nem fénix renascidas,cada vez que ouvem um "professor,preciso de ajuda"- é como se ativasse o centro de recompensa dos seus cérebros,pelo que deverás começar por aí.
Levanta a mão - é um gesto motivador - mas,em vez de juntares um heil,junta uma resposta correta ou  uma pergunta e,se estiveres muito familiarizado com a técnica,cita uma trivialidade que leste em algum lado (e que todos os outros,inclusive o professor - que prefere ignorar isso - sabem que não te interessa para nada).
Esforça-te para os testes:prepara-te todos os dias para surgirem dúvidas que farão os olhitos do teu stor/stôra brilhar e tirares uma ganda nota.É a melhor trela.
Ajuda os teus friends:dás o ar de ser um animal de matilha.
Há aulas de apoio?Vai!Passa mais tempo com eles,vais ver que ficam treinadinhos que nem um mimo.Bebe todo o seu saber.
Dá-lhes o teu exemplo.Treina-os com a tua conduta exemplarmente-magnificamente-adequada.Chega a horas e tenta não faltar,deves ser a referência deles,não o motivo de ficarem especados a olhar para a porta.

Sobretudo,cresce enquanto pessoa.Não há nada que eles queiram mais do que tu sejas bem sucedido.Aproveita para lhe dares esse miminho.

Esta dica pouquíssima gente ta poderá conceder:tal como acontece com os gatos ,quem manda são eles.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sapatos Azuis

Quando nasci,uma estrela apagou-se.Apagou-se e pôs todo o seu brilho em mim.Foi a manifestação de amor mais bonita que alguma vez se viu.Nunca tinha percebido isso - até hoje.
Calço os mesmos ténis azuis há anos.Conto três casa e depois ato os cordões sujos,pelos dias da vida e,mais uma vez,hoje fiz isso.
Vejo o amor da estrela cada vez o que o faço.Apenas porque,num dia,calcei umas botas cor-derosa e nunca mais as pude usar na vida.Calcei-as de manhã e,antes de,como de costume,as descalçar à noite,vi-a.
Ela olhou-me nos olhos,perfurou-me toda a alma só para acender a estrela.A estrela estremeceu mas nunca incandesceu.Serenei como uma princesa;como uma folha de outono pousei.
A estrela pisacava.Sim-Não-Sim-Não.A esperança fazia danças de roda e a estrela pisacava,intermitente.
Mas apagou-se - apagou-se para me dar o brilho. Eu aceitei o brilho e com um brilho turvo voltei. O meu brilho agregou um abajur que felizmente,com o peso do tempo,gemeu,caiu e voltou ao pó da terra.
Aí voltei.Calcei:botas,sapatos,sandálias - e,por fim,os sapatos azuis de que tanto me orgulho.
Chamaram-me milagre,chamaram-me,deficiente,chamaram-me azar - mas eu tive sorte,porque aquela estrela me amou.