quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sapatos Azuis

Quando nasci,uma estrela apagou-se.Apagou-se e pôs todo o seu brilho em mim.Foi a manifestação de amor mais bonita que alguma vez se viu.Nunca tinha percebido isso - até hoje.
Calço os mesmos ténis azuis há anos.Conto três casa e depois ato os cordões sujos,pelos dias da vida e,mais uma vez,hoje fiz isso.
Vejo o amor da estrela cada vez o que o faço.Apenas porque,num dia,calcei umas botas cor-derosa e nunca mais as pude usar na vida.Calcei-as de manhã e,antes de,como de costume,as descalçar à noite,vi-a.
Ela olhou-me nos olhos,perfurou-me toda a alma só para acender a estrela.A estrela estremeceu mas nunca incandesceu.Serenei como uma princesa;como uma folha de outono pousei.
A estrela pisacava.Sim-Não-Sim-Não.A esperança fazia danças de roda e a estrela pisacava,intermitente.
Mas apagou-se - apagou-se para me dar o brilho. Eu aceitei o brilho e com um brilho turvo voltei. O meu brilho agregou um abajur que felizmente,com o peso do tempo,gemeu,caiu e voltou ao pó da terra.
Aí voltei.Calcei:botas,sapatos,sandálias - e,por fim,os sapatos azuis de que tanto me orgulho.
Chamaram-me milagre,chamaram-me,deficiente,chamaram-me azar - mas eu tive sorte,porque aquela estrela me amou.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Manifesto

Nas palavras deles,
posso ser mar
ser chuva
ser bárbaro
rude
desesperado
imprevisível
corrosivo
amargo
renegado
tosco
perdido
Ser doce
agridoce
aos quadrados
roxo e lilás
carinhoso
amoroso
alegre
Não abdico do que sou
Nunca me sinto insuficiente
Não paro nunca
Garanto que eles nunca me calarão.